Abril 14, 2009...5:30 pm

Inadimplência se acelera e aumenta 17% em março

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vida-realPostado por Ricardo Schwalfemberg

Inadimplência se acelera e aumenta 17% em março. Serasa vê maior financiamento do consumidor por meio de cheque pré-datado. Bancos respondem pela maior parcela de clientes com débitos em atraso, seguidos pelas empresas de cartões e financeiras. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, indicou, ontem, que a instituição deve continuar reduzindo a taxa básica de juros da economia brasileira, que se encontra em 11,25% ao ano.

(Folha de S. Paulo – SP)

TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL

Reflexo do aumento no desemprego, da queda na renda e da desaceleração na economia, a inadimplência do consumidor se acelerou em março, mês que combina os efeitos dos pagamentos em atraso das compras de dezembro com o das despesas do início do ano. Pesquisa da Serasa Experian mostra que a inadimplência saltou 17% em março ante o mesmo período de 2008. Em fevereiro, o índice havia subido 4,7% na mesma base de comparação.
Para Luiz Rabi, gerente de Indicadores da Serasa, além dos efeitos conhecidos da crise (menos emprego, renda e atividade econômica), a inadimplência cresce também devido ao aperto do crédito, que se traduz por meio de limites e prazos menores e juros maiores.
A maior evidência é o aumento no valor médio dos cheques sem fundos no primeiro trimestre, que subiu 31% em relação ao mesmo período de 2008 e atingiu R$ 828,70. Nos cartões de crédito e nas financeiras, o valor das dívidas em atraso era menos da metade disso, de R$ 386,86 -13% menor do que em 2008.
“Dessa vez, não é só o desemprego [que propaga a inadimplência]. A coisa está diferente porque tivemos uma crise de crédito. Muita gente que teve o limite cortado no banco foi para o cheque pré-datado”, disse.
“O cheque torna-se uma maneira rápida de obter financiamento. A possibilidade de negociação, além da flexibilidade de prazos e dos parcelamentos, explica o crescimento da preferência pelo cheque pré-datado”, disse Marcos Crivelaro, professor da Fiap.
Na pesquisa, março de 2009 já aparece como um dos piores meses para o consumidor manter as contas em dia desde o início de 1999, quando começa a série histórica. Na comparação com fevereiro, mês com menos dias úteis, houve alta de 23% na inadimplência. Isolando o primeiro trimestre, a elevação foi de 11% ante 2008.
Os bancos foram os mais afetados pelos atrasos. As instituições financeiras tinham 43,4% do total da inadimplência no primeiro trimestre – há um ano, era 42,9%. Os bancos preveem para 2009 a maior inadimplência em nove anos, de 5,4% do total da carteira de crédito. Para se precaverem, fizeram provisões de R$ 65 bilhões para devedores duvidosos.
A inadimplência reportada pelos bancos supera a das empresas de cartões e as financeiras, que somam 37,1% do total. Os cheques sem fundos são hoje 17,6% do total, e os títulos em protesto, o 1,9% restante.
Para a Serasa, a inadimplência deve continuar subindo ao lado do desemprego. “Dificilmente, a gente vai ter uma reversão no desemprego antes do meio do ano”, disse Rabi.

Juros devem cair mais, diz Meirelles
DA REPORTAGEM LOCAL
DA SUCURSAL DO RIO

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, indicou, ontem, que a instituição deve continuar reduzindo a taxa básica de juros da economia brasileira, que se encontra em 11,25% ao ano. “É importante garantir juros mais baixos no futuro para permitir um crescimento sustentável e sem os desequilíbrios do passado”, afirmou, pela manhã, durante fórum com pequenos empresários em São Paulo.
Mais tarde, durante outro evento, realizado no Rio de Janeiro, Meirelles explicou que são as atuais condições da economia do país que permitem o alívio da política monetária. “O Brasil está ganhando margem de manobra em razão de sua estabilização econômica.” Esboçando otimismo, o presidente do BC acrescentou que o país deve sair da atual crise mais rápido que os outros.
O governador paulista, José Serra, reclamou, ontem, da demora em baixar os juros. “Em vez de [o BC] construir diques para nos proteger da crise, usou ventiladores.”
Ele assinou três decretos sobre medidas de apoio às pequenas empresas do Estado: um fundo de aval para garantir os empréstimos tomados por elas; condições especiais para que forneçam produtos aos órgãos da sua administração; e crédito com juros subsidiados por meio da agência de fomento local, a Nossa Caixa Desenvolvimento.

Folha de S. Paulo – SP

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