Postado por Ricardo Schwalfemberg
Contratar seguro sem pesquisar pode quadruplicar custo da apólice. Levantamento feito pela Folha encontrou diferença de até 396% entre cotações de mesmo perfil. Endereço e modelo do veículo são os fatores que mais influem no preço da apólice, diz especialista.
Folha de S. Paulo – SP – 29/01/2012
KARINA CRAVEIRO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Imagine que o seu seguro automotivo está prestes a vencer. Enrolado com as tarefas do cotidiano, você opta pela solução mais simples e apenas autoriza a renovação automática, sem checar outras propostas.
A situação é mais comum do que se pensa. Fechar a apólice com a mesma companhia pode ser a decisão mais prática, mas nem sempre é a mais barata.
A Folha simulou cotações em algumas das principais seguradoras do país e verificou diferenças de até 396% entre os valores cobrados por uma apólice com o mesmo perfil de cliente e modelo de carro
ANÁLISES DE PERFIL
As seguradoras definem suas políticas de preços das apólices a partir de análises de mercado e experiências obtidas em suas carteiras de clientes. São avaliados grupos com perfis semelhantes e o custo médio de cada tipo de evento. Daí surge o índice de sinistralidade.
“Os principais fatores que interferem no custo do seguro são o modelo do veículo e a região de domicílio do segurado, além de idade, sexo, tempo de habilitação e tipo de franquia”, diz Jabis de Mendonça, diretor de automóveis do Grupo BB Mapfre.
Quem pesquisa, gasta menos. “Cheguei a economizar quase R$ 1.000 na última renovação que fiz. Não dá para ser fiel a uma seguradora ou a um corretor”, diz o investigador de polícia Felipe Bitu, 31, proprietário de um Volkswagen Santana 1996.
O levantamento feito pela Folha mostrou também que algumas seguradoras oferecem preços melhores para carros compactos, enquanto outras apresentam orçamentos mais em conta para veículos maiores e mais caros.
“Antes de comprar o Honda Civic, tive um carro menor. Lembro que minha atual seguradora apresentou um orçamento caríssimo para a apólice do compacto, e optei por outra empresa. Mas, para o carro que tenho hoje, a proposta foi muito boa”, conta o arquiteto Fausto Pereira de Oliveira, 29.
Caso não utilizem o seguro, os clientes ganham bonificações a cada renovação, que são cumulativas. Porém, isso não significa que haverá redução no preço da apólice.
“Acabo de renovar o seguro com a mesma empresa. Apesar de não ter mudado de endereço nem usado os serviços contratados, a apólice ficou R$ 130 mais cara. A seguradora disse que o risco de roubarem o meu carro aumentou”, diz a advogada Flávia Moreira Bacha Meana, 37, dona de um Peugeot 207 Passion 2011.
Gaste Menos
Saiba como fazer as escolhas certas
ANTES DA COMPRA, FAÇA COTAÇÕES
O trabalho começa antes da compra do carro. Faça cotações prévias com corretores ou bancos para saber quanto custa o seguro do modelo desejado. Esse serviço não será cobrado. Peça orçamentos em, no mínimo, quatro empresas. As solicitações são atendidas em dois ou três dias. Assim, é possível avaliar as vantagens, os descontos e as taxas de cada uma delas
BANCO OU CORRETOR DE SEGUROS?
Quem opta pelo seguro do banco do qual é correntista costuma encontrar melhores condições de pagamento, mas não tem acesso a mais de uma opção de cotação. Em caso de acidente, o cliente deverá tratar diretamente com a seguradora. Já os corretores podem solicitar orçamentos para várias empresas e ajudar o segurado nas situações burocráticas
COMO REDUZIR O PREÇO DA APÓLICE
Só contrate o que for necessário e liste todos os itens de segurança do carro, como alarmes e travas. Não exagere na quilometragem: dizer que o automóvel roda mais que o real encarecerá o contrato. E se o veículo pertence ao marido, mas o principal condutor é a mulher, o seguro poderá ser feito no nome dela. Em geral, custa menos
TENHA CUIDADO COM AS RESPOSTAS
Preencha com cautela o questionário enviado pela seguradora. Informações divergentes podem complicar -ou impedir- o pagamento em caso de um sinistro. Não invente um endereço “fantasma”, nem utilize o CEP de um familiar residente em área de menor risco
MENTIR PODE TRAVAR O PAGAMENTO
Tentar enganar a seguradora pode trazer consequências. A empresa terá o direito de negar o pagamento se ficar provado que o cliente mentiu ao preencher o questionário. Há ainda o risco de ser processado por estelionato
DÊ ATENÇÃO AOS BENEFÍCIOS EXTRAS
Seguradoras costumam oferecer alguns adicionais para cativar o cliente, como manutenção residencial (pequenos reparos) e chaveiro 24h. Em geral, esses serviços têm um custo baixo. Vale a pena incluí-los
Análise
Seguradoras se subdividem para ganhar mercado
EDUARDO SODRÉ
EDITOR-ASSISTENTE DE VEÍCULOS
A disparidade entre os valores das apólices pode ser explicada pela estratégia atual das grandes seguradoras, que se dividem em diferentes bandeiras, cada uma voltada para seu público específico.
Um exemplo é a Porto Seguro. Após adquirir a Axa Brasil (2003), a empresa criou a Azul Seguros. O passo seguinte foi a unificação das operações de seguros residenciais e de automóveis com o grupo Itaú Unibanco (2009).
As divisões têm estratégias próprias. A cotação de um determinado modelo pode ter valor atraente em um braço da empresa, mas custo proibitivo em outro. É uma forma de direcionar o público-alvo e selecionar a carteira de clientes de acordo com os perfis pré-estabelecidos.
Essa característica do mercado aumenta a importância da pesquisa prévia de preços para adquirir um seguro.
O teste do seguro
Descubra quanto você pagaria por uma apólice simulando as situações deste jogo
DE SÃO PAULO
Para exemplificar a variação dos preços de seguros na cidade de São Paulo, a Folha escolheu o modelo mais vendido do segmento de compactos “populares” (Volkswagen Novo Gol 1.0) e do de sedãs médios (Toyota Corolla 1.8). As cotações de apólices completas (incluem cobertura a terceiros), feitas em quatro seguradoras, foram divididas por perfis (homens e mulheres, 25 e 50 anos) e bairros (Morumbi e região do centro).
Seguradoras
Por que as cotações variam tanto?
DE SÃO PAULO
De acordo com a FenSeg (Federação Nacional de Seguros Gerais), os preços das apólices são definidos de forma livre pelas empresas.
As seguradoras ouvidas pela reportagem afirmam que as variações ocorrem porque um determinado modelo é mais roubado ou se envolve em mais acidentes que outro.
A coordenadora da Susep (Superintendência de Seguros Privados) Luciana Carreira diz que a entidade regula as operações do setor. “A tarifação do seguro faz parte do processo de análise e subscrição de riscos por parte das seguradoras, de forma que elas possuem liberdade total para estipular a precificação de seus produtos. Isso varia de acordo com sua estratégia comercial. A Susep não interfere nos preços praticados, mas acompanha as políticas de subscrição e tarifação.”
Folha de S. Paulo – SP – 29/01/2012